Descrição do item
Número de registro
00002
Código da fotografia
P32_760
Tipo de documento
Fotografia digital
Autor
Leônide Príncipe
Geolocalização
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Licença e termos de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Descrição Temática
Gênero visual
Descrição
Efêmera e eterna é a Sobralia macrophylla: flor da sacerdotisa
A primeira foto foi de manhã, o sol do Leste a iluminou bem de frente, dispensando o flash.
Várias vezes eu voltei para a magnifica Sobralia, até o final da tarde, quando o sol já estava querendo pintar a paisagem da luz dourada que todo fotógrafo adora. Minha vontade e meus desejos já não apitavam mais, nem o pensamento que gosta de se meter em tudo. Meus movimentos eram conduzidos num espaço sem tempo. Ali estava ela, na minha frente, a sacerdotisa do templo, se mostrando por apenas um dia, ‘efêmera’ e encantadora. O raio de sol do Oeste encontrou uma folga na vegetação, rasgou a penumbra moderada do sub-bosque e veio iluminar o altar por trás, revelando as profundezas de seu ser, como que indicando. Já era demais para minha compreensão humana. A transitoriedade aparente daquele evento abriu uma brecha para o meu pensamento se introduzir na cena, de novo, obstinado: amanhã ela não mais estará aqui, com todo esse esplendor. Amanhã eu estarei correndo na cidade, resolvendo problemas insignificantes, num outro estado de consciência, bem medíocre.
Porém, alguém, não sei quem, alguém aquietou minha mente de novo: é apenas no plano físico que a flor vai deixar de existir. Haverá momentos certos, quando a sacerdotisa com sua varinha de luz matizará, ali, na campina, e por outros cantos afortunados, ela se manifestará de novo, efêmera e encantadora, para os olhos humanos que tenham a sorte de vê-la. Duradoura e perpétua para os olhos da alma.
Legenda sintética
Na Reserva da Campina do INPA, acompanhado pelo biólogo Jefferson Cruz, fotografei seis espécies de orquídeas num só dia. Tapetes de Encyclia cobriam os galhos de macucu (Aldina heterophylla). O cheiro de flores e a luz perfeita criaram um templo de gratidão. A Sobralia macrophylla, sacerdotisa de um ritual muito antigo, revelou-se por um dia: na primeira visita a admirei banhada de frente pelo sol da manhã, de tarde, a luz que tudo cria e sustenta a indicou com um único raio dourado, por trás. Efêmera no plano físico, eterna para os olhos da alma, sua beleza transcende o tempo, perpetuando-se em outros cantos para quem tiver a sorte de vê-la.
Nota do fotógrafo
Sobre a Sobralia grandiflora:
A Sobralia grandiflora é uma orquídea que habita as campinas da Amazônia Central. Segundo Braga (1977), essa espécie vegeta no estrato herbáceo, formando grandes touceiras nas clareiras da campina e também sob a sombra projetada pelas ilhas de vegetação arbustiva. Sua floração ocorre durante quase todo o ano, com picos de maior intensidade logo após as primeiras chuvas que sucedem o período de estiagem mais pronunciado.
Sobre a Reserva Biológica de Campina
A diversidade de orquídeas nesse ambiente é notável: Braga (1977) registrou 24 gêneros e 48 espécies nas campinas estudadas, sendo Encyclia fragrans a espécie mais comum. Apenas três espécies apareceram como características dessa comunidade: Bulbophyllum correae, Encyclia tarumana e Maxillaria pauciflora. O número de espécies endêmicas era pequeno, cerca de 9,67% do total, o que sugere uma composição florística dominada por espécies de distribuição mais ampla.
— BRAGA, P. I. S. _Aspectos biológicos das Orchidaceae de uma campina da Amazônia_ Central. Acta Amazonica, Manaus, v. 7, n. 2, supl., p. 5-89, 1977.
Descrição Técnica
Formato do arquivo
JPG
