Anexos
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Tapetes perfumados P31_727
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A flor da sacerdotisa P32_760
Descrição do item
Número de registro
00001
Código da fotografia
P03_072
Tipo de documento
Fotografia digital
Título
A flor da sacerdotisa
Autor
Leônide Príncipe
Geolocalização
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Licença e termos de uso
Creative Commons Attribution-NonCommercial (CC BY-NC)
Descrição Temática
Gênero visual
Descrição
Inesperados tapetes perfumados cobrem os galhos de macucus nanicos...
Aquela manhã, Jefferson Cruz e eu, chegamos cedo na Reserva da Campina, no km 44 da BR-174. Ele, como biólogo do projeto Uma Jornada na Copa das Árvores tinha proposto uma excursão naquele sagrado lugar autorizado apenas para pesquisa e, excepcionalmente para fotografar naquele mágico lugar, como não demoraria de descobrir. O insistente cheiro de flores foi o primeiro encantamento...
Tinha o dia todo para borboletear entre uma orquídea e outra, entre um enquadramento e outro. Esse ecossistema, denominado campina, é repleto de orquídeas, orquídeas, tantas orquídeas floridas que eu fiquei bêbedo, do mesmo jeito como se tivesse numa bebedeira de marinheiros num porto longamente desejado. Havia tapetes densos e cheios de epífitas (Encyclia) recobrindo os galhos de árvores inteiras, árvore após árvore, na maioria macucus (Aldina heterophylla). Não queria mais sair dali, e naquele dia fotografei seis espécies floridas, sem nem precisar escalar árvores com equipamento, sem sequer me lembrar do almoço. O Jefferson se perdia na busca, voltando, de vez em quando com uma nova descoberta: aqui, nessa direção, 50 metros. E sumia de novo. Foi o recorde da jornada de um ano de orquídeas, seis num só dia, quando uma ou duas no máximo era oferecido nas outras expedições.
Eu estava dentro de um templo esplendidamente decorado, perfumado e generoso, percebia a cumplicidade dos elementos que conspiravam a meu favor, o proprio grande astro se posicionava para facilitar as coisas. O fervor que tomava conta poderia ser uma palavra acertada, mas não é suficiente para descrever o sentimento de gratidão que permeava o meu ser, me levando por trilhas que os olhos não viam, me conduzindo naturalmente até o salão da próxima formosa eflorescência: Encyclias, Sobralias, Cattleyas…
Isso é demais, Leonide Principe, caia na real! Eu estava trabalhando num projeto com cronograma, um biólogo, dois mateiros, etapas de financiamento com tanto de responsabilidade fiscal. Coisa séria! Mas pouco parecia estar me lixando disso, se o fizesse perderia a pura inocência de zanzar entre as flores, sem objetivo. Tomaria meus registros tecnicamente razoáveis e voltaria pra casa para revelar, classificar e prestar contas ao patrocinador. O patrocinador olharia satisfeito sem nem perceber a insatisfação da minha alma. Assim é o nosso mundo disfuncional! E qual inútil seria explicar que, quando a alma emerge, isso é a essência da coisa, o fator fundamental que terá mais chance de colocar um bom tempero na fotografia como em qualquer outra arte. A mente quieta, bem quetinha, o patrocinador em segundo plano, e a alma protagonista. Esse é o desafio. É a tentativa de cada clique. E só serei artista no seu feedback, prezado leitor. Porém, apenas para colocar o ego no lugar, saiba que eu já tive meu lucro naquele maravilhoso dia e que, se meu serviço prestou, agarre o seu lucro também, alcançe sua alma como eu a alcancei por breves momentos.
Legenda sintética
Na Reserva da Campina do INPA, acompanhado pelo biólogo Jefferson Cruz, fotografei seis espécies de orquídeas num só dia. Tapetes de Encyclia cobriam os galhos de macucu (Aldina heterophylla). O cheiro de flores e a luz perfeita criaram um templo de gratidão. A Sobralia macrophylla, sacerdotisa de um ritual muito antigo, revelou-se por um dia: na primeira visita a admirei banhada de frente pelo sol da manhã, de tarde, a luz que tudo cria e sustenta a indicou com um único raio dourado, por trás. Efêmera no plano físico, eterna para os olhos da alma, sua beleza transcende o tempo, perpetuando-se em outros cantos para quem tiver a sorte de vê-la.
Nota do fotógrafo
Sobre a Sobralia grandiflora:
A Sobralia grandiflora é uma orquídea que habita as campinas da Amazônia Central. Segundo Braga (1977), essa espécie vegeta no estrato herbáceo, formando grandes touceiras nas clareiras da campina e também sob a sombra projetada pelas ilhas de vegetação arbustiva. Sua floração ocorre durante quase todo o ano, com picos de maior intensidade logo após as primeiras chuvas que sucedem o período de estiagem mais pronunciado.
Sobre a Reserva Biológica de Campina
A diversidade de orquídeas nesse ambiente é notável: Braga (1977) registrou 24 gêneros e 48 espécies nas campinas estudadas, sendo Encyclia fragrans a espécie mais comum. Apenas três espécies apareceram como características dessa comunidade: Bulbophyllum correae, Encyclia tarumana e Maxillaria pauciflora. O número de espécies endêmicas era pequeno, cerca de 9,67% do total, o que sugere uma composição florística dominada por espécies de distribuição mais ampla.
— BRAGA, P. I. S. _Aspectos biológicos das Orchidaceae de uma campina da Amazônia_ Central. Acta Amazonica, Manaus, v. 7, n. 2, supl., p. 5-89, 1977
Descrição Técnica
Dimensões e Tamanho
Dimensões
5391px x 3628px
Data e hora
Ano
1997
Equipamento de captura
Filme 35mm
Formato do arquivo
JPG
